Em um estalar de dedos, vi sentimentos se perderem dentro de mim, dentro dos outros.
Amigos que foram embora como um barco que vai ao longe e já nem se lembra do cais... Amores vividos que em fração de segundos, tornaram-se banais.
Ontem eles se veneravam perdidamente, hoje, já não se conhecem.
Há alguns dias atrás fizeram juras de amor... Hoje só falam em dor...
Outro dia ouvi dizer que não tem essa coisa certa de "amor ou paixão", que na verdade o que sentimos
não passa de uma atração carnal... Parei durante horas pensando, fixei a mente em cada palavra que ouvi.
Elas até tentaram me penetrar a mente, mas a alma já estava feita.
A alma gritava, dizendo-me que não, que esta era uma visão imunda de um certo boçal que a despejou sobre os meus ares. Ela tentava me convencer de coisas que eu não queria, embora já existissem em mim. Como expulsá-las? Já não tinha jeito.
Pus à mão uma caneta de tinta preta, prendi o cabelo, suspirei ofegante e em um papel comum comecei a jogar tudo o que eu estava sentindo... Vi que o meu eu estava tão cansado de amar errado, de culpar os outros por terem tão pouco para me dar e acabei me convencendo de que o amor tem lá suas fases, umas serenas, outras bruscas... Umas confusas, outras certeiras.
Tudo muda o tempo todo.
Então parei em um canto qualquer, vi você, nossa história em cada linha do que eu tinha escrito, e pensei que tantos detalhes não podiam ser "em vão"... Não era pele, desejo carnal, eram feridas feitas por um sentimento ao qual eu não queria rotular em amor... O que de fato era. Era desejo de lhe ter novamente do lado para compartilhar coisas bobas e verdadeiras.
Até penso que enlouqueci.
Andava falando coisas com coisas, vendo você em outros olhares, conversando contigo em minhas orações,
chamando teu nome com frequência ao acordar de sonhos aterrorizantes.
Querendo você por perto.
Outras horas era como se você não existisse, como se eu estivesse bem e tudo estivesse no seu devido lugar.
E realmente estava, não é?
Não sei.
Confundia-me a todo instante...
O que eu queria na verdade já não importava...
"Por pensar demais eu preferi não pensar demais desta vez".
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